sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Where We Stand

Terminei o meu 2º ano da licenciatura há apenas 2 dias atrás. Finalmente posso descansar um bocadinho! Já só falta mais um ano e acabo o curso. Bless the Lord! Não que não esteja a gostar, pelo contrário, mas detesto andar em época de frequências e exames, especialmente estando em Castelo Branco. Para quem nunca experimentou, não posso deixar de recomendar uma visita a esta bela cidade portuguesa, especialmente durante os amenos meses de Verão. É o mesmo que ir para o deserto do Saara mas numa versão mais low cost. A única diferença é que em vez de ter camelos, tem ovelhas. Mas adiante. Estava eu a dizer que estou de férias. Na verdade, só por um bocadinho, pois vou começar ainda este mês o meu estágio de treinadora de cães, o que significa que também estou quase quase a terminar o curso. Não podia estar mais feliz! Foram 2 anos de aprendizagem e mal posso esperar por começar a trabalhar com os cães!
A Vitória, a minha princesa gorda e feia, cá anda... Dorme umas sonecas, treina uns quantos truquezitos (agora anda a aprender a coxear), dá uns passeios, come, recebe festinhas, é escovada diariamente, brinca, enfim, leva uma típica vida de cão. Infelizmente está com um problema nos olhinhos, tendo vindo a perder a visão gradualmente. Tropeça nas coisas, bate com a cabeça em tudo e anda, de um modo geral, mais insegura devido à falta de visão. Estamos numa fase de adaptação, eu e ela, mas com o tempo penso que as coisas vão acabar por normalizar um bocadinho e acabamos por nos adaptar a esta nova realidade.


Esta fotografia foi retirada há algumas semanas, depois de ela ter levado a última dose da vacina da Leishmaniose. Estava um pouco molinha e sonolenta e acabou por adormecer ao pé dos meus pés, quando estava a ver um filme sentada no sofá.

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Criar Associações Positivas ao Veterinário

Todo e qualquer estudante de medicina veterinária, enfermagem veterinária ou auxiliar que já começou a ter aulas práticas em ambiente de clínica ou hospital certamente já se deparou com uma realidade desagradável: para alguns animais, a ida a uma consulta é um pesadelo. Isso acaba, mais cedo ou mais tarde, por transformar o nosso trabalho também num martírio. O cão morde, não coopera, não se consegue nem fazer um exame clínico porque mal tocamos no focinho do cão, o risco de ficarmos sem um dedo torna-se bem real. Para além da segurança de quem ali trabalha que é posta em risco, o animal é também sujeito a uma fonte de stress enorme e acaba sempre por piorar o seu comportamento. Ninguém gosta de levar o seu cão ao veterinário se ele ataca toda a gente que use uma bata e que lhe apareça à frente. Mais cedo ou mais tarde, estes tutores acabam por evitar ao máximo as idas ao veterinário, indo apenas em casos que sejam mesmo necessários. Isto prejudica a saúde do animal e também a própria clínica ou hospital, do ponto de vista financeiro. É, portanto, vital, investir na prevenção. Este post é especificamente dirigido a médicos veterinários, enfermeiros veterinários, auxiliares e estudantes destas áreas.


Prevenção
Imaginemos que entra um cachorro para fazer a sua primeira consulta. 
- O tutor deve e pode logo começar a criar associações positivas com a clínica ou hospital. Enquanto espera pela consulta, pode ir recompensando o cachorro por estar calmo, dando-lhe alguns biscoitos adequados à sua idade e brincando com ele com algum brinquedo.
- O recepcionista pode e deve também recompensar o cachorrinho, aproximando-se dele, deixando-o cheirar as suas mãos e dando-lhe um biscoito. Quando for para pesar o cachorro, a mesma coisa. Sempre criando associações positivas com o ambiente, objectos e pessoas.
- Já dentro da consulta, para além do esperado aconselhamento acerca do programa de vacinação, da desparasitação, cuidados de saúde gerais, nutrição, higiene e prevenção de doenças infecto-contagiosas, o médico veterinário deve também mencionar a importância da prevenção dos problemas comportamentais.
- Dar ao cachorro as suas recompensas quando estiver em cima da marquesa.
- Deixar o cachorro cheirar o estetoscópio antes de o utilizar.
- Ir recompensado à medida que o exame clínico é feito, dando os biscoitos à medida que o médico faz a palpação do cachorro. 
- Aconselhar a inscrição do cachorro em aulas de sociabilização de cachorros. Caso o hospital ou clínica tenha espaço para o fazer, poderá pensar em estabelecer uma parceria com um treinador positivo de confiança e oferecer as aulas nas suas instalações. Estas aulas são extremamente importantes e devem ser iniciadas a partir do momento que o cachorro já tenha a sua primeira dose das vacinas e tiver mais de 8 semanas, sendo o período crítico de sociabilização entre as 8 e as 12 semanas. Estas aulas, inventadas por um médico veterinário especialista em comportamento, o Dr. Ian Dunbar, são dadas num ambiente controlado e limpo, sendo frequentadas só por cachorros e nas quais o risco de contracção de doenças infecto-contagiosas, nomeadamente parvovirose, é muito baixo. O cachorro pode também conhecer pessoas e cães (vacinados, desparasitados e saudáveis) em sua casa e sair à rua no colo do dono, onde pode observar o mundo que o rodeia em segurança. Deixar o cão fechado em casa até ter o plano vacinal completo é a receita ideal para surgirem problemas comportamentais. 
- Falar acerca da estimulação mental.

Para Cães Adultos:
- Usar técnicas de contenção low stress, sempre que for necessário conter o cão para um procedimento mais desconfortável para o mesmo. A Drª Sophia Yin tem disponível informação relativamente a este assunto e pode ser encontrada aqui.
- Realizar os procedimentos mais invasivos e stressantes por último e começar com os procedimentos mais agradáveis. Para os procedimentos mais invasivos e desconfortáveis, usar açaime como forma de prevenção. O Tutor do cão deverá habituá-lo ao açaime em casa, de uma forma positiva.
- Caso sejam detectadas coleiras de picos, de choques e estranguladoras, aconselhar a sua troca por materiais mais adequados.
- Aconselhar aulas para adolescentes e adultos.
- Fornecer o contacto de um treinador positivo de confiança.
- Fornecer uma recompensa ao cão antes de este sair da consulta e tentar terminar a mesma de uma forma agradável e positiva.

Quando Já Há Agressividade
- Aconselhar o tutor a contactar um treinador positivo e competente deve ser prioritário. 
- Usar açaime, sempre.
- Para procedimentos invasivos e que provocam agressividade no cão, preferir contenção química a contenção física, se possível e se considerada uma solução adequada pelo médico veterinário.
- Usar técnicas de contenção low stress, sempre que possível.
- Fazer muitas associações positivas, dando recompensas ao cão ao entrar na clínica ou hospital e durante todo o exame clínico. Estas recompensas devem ser dadas por todos os colaboradores do centro de atendimento médico-veterinário.
- Verificar se a natureza do procedimento compensa o agravar da agressividade. Se o cão estiver na consulta apenas para cortar as unhas e se isso é algo que provoca um comportamento agressivo no mesmo, então o mais correcto seria aconselhar o dono a contactar um treinador, trabalhar no problema e só depois vir à consulta para cortar as unhas, se for necessário. O cão não vai ficar com um problema de saúde se não cortar as unhas naquele dia e naquele momento. Mais vale esperar o tempo necessário até resolver o problema do que estar a forçar agora e piorar o problema.
- Não esquecer que a cada consulta que passa, o problema piora e que não fazer nada para o resolver é meio caminho andado para um desastre.

De um modo geral e para resumir, há sempre alguma coisa que nós, como médicos ou enfermeiros veterinários podemos fazer para tentar diminuir o número de cães que vão à consulta e que demonstram comportamentos agressivos. A maioria destes comportamentos resultam de medo ou até dor física. Devemos apostar na prevenção e certamente assim faremos alguma diferença!

Os seguintes vídeos, em baixo, demonstram algumas das sugestões que referi. Ambos são da autoria da It's All About Dogs.



sexta-feira, 27 de Junho de 2014

There's No Such Thing as a Bad Dog

Não há cães maus. Aliás, eu nem faço a mínima ideia do que é um cão mau. No entanto, com muita frequência eu vejo cães serem apelidados de maus, quer seja porque mordem, porque não obedecem, porque ladram, porque fogem, porque isto e aquilo. Ora vejamos:

- Cães que mordem. Porque morde um cão? As razões podem ser muitas e variadas: porque estão com medo, porque aprenderam que só assim são ouvidos, porque estão com dores, porque foram atacados e se defenderam, porque estão a defender algo valioso para eles, porque nunca ninguém lhes ensinou que não o devem fazer e que há alternativas. Seja qual for a razão porque um cão mordeu, nenhuma delas o transforma num cão mau. Que culpa tem o cão de nós não sabermos respeitar os seus avisos ou de não sabermos interpretar aquilo que ele nos diz? Ou de o submetermos a uma situação na qual ele sente necessidade de se defender ou afastar? Ou talvez porque, quando ele era cachorrinho, não sabíamos da importância da sociabilização e a ignorámos totalmente. E ainda, que culpa tem o cão de não lhe terem ensinado que, para nós, é totalmente inaceitável o uso da agressividade, enquanto que para ele, é um comportamento normalíssimo? Certamente que não tem culpa nenhuma. Portanto, um cão que morde, não se qualifica para o adjectivo "mau".

- Cães que fazem as suas necessidades onde não devem. Bom, se nunca ninguém lhe ensinou onde as fazer, o cão não pode adivinhar. Isso é certo! Portanto, se o professor não dá a matéria, o aluno não pode sabê-la. Talvez o cão seja mau porque faz xixi às escondidas e à frente do dono não faz. Mais uma vez, que culpa tem o cão? Se de cada vez que faz xixi à frente do dono leva uma palmada no focinho? O cão não vai perceber que está a fazer xixi no local errado mas sim que não pode fazer xixi à frente do dono. E sempre que faz xixi no local correcto, este ignora-o ou apenas diz "Lindo!". Então, as necessidades no tapete também não tornam o cão num cão mau.

- Cães que destroem a casa e o mobiliário. Ninguém aguenta muito tempo sem ter nada que fazer. Os cães também não. Se ninguém lhe ensinou onde pode roer e o que pode roer, quem o pode culpar por escolher o que mais lhe agrada? Imaginemos que estamos numa sala fechados e temos à nossa disposição um livro e uma televisão. Escolhemos ler o livro. Passado um pouco aparece alguém e começa a gritar connosco porque não podíamos ler o livro. Mas que culpa temos nós se nos colocaram as coisas à nossa disposição e não nos avisaram que só podíamos ver televisão? É a mesma coisa com os cães. Se ninguém os ensinar que só podem roer o osso, eles vão escolher as pernas das cadeiras. Para além do mais, se não queremos que alguém coma os bolinhos que acabámos de fazer, não os vamos deixar mesmo em cima da bancada da cozinha. Vamos guardá-los bem fechados em cima do armário. Se não queremos que o cão vá roer os sapatos, fechamos os sapatos onde o cão não lhes possa mexer. Portanto, má gestão do ambiente por parte dos donos não faz dos cães maus. Já para nem falar dos cães com ansiedade por separação. Um cão em pânico é tudo menos mau. É um cão que precisa urgentemente de ajuda.

- Cães que não obedecem. Em primeiro lugar, o cão não é um computador, no qual clicamos num ícone e a pasta abre-se sempre (a menos que seja como o meu computador que é consoante lhe apetece). O cão é um ser vivo e não é realista esperar que o cão faça tudo aquilo que lhe pedimos, 100% das vezes, a qualquer hora do dia, dia após dia, sem falhar uma única vez. Mas se o cão nunca faz nada daquilo que lhe pedem, das duas uma: ou ele não sabe o que lhe estão a pedir ou não tem interesse em obedecer. Se o cão não sabe o exercício ou não recebe absolutamente nada em troca por fazê-lo e, para além disso, vai perder a oportunidade de cheirar aquele-cheiro-super-interessante-que-subitamente-apareceu ao obedecer, só obedece se for tonto. Os cães não existem para nos agradar. A célebre frase "faz tudo para agradar ao dono" não passa de uma ilusão. Os cães obedecem ao que nós lhes pedimos porque a) recebem uma recompensa se o fizerem ou b) recebem um castigo se não o fizerem. Um comportamento que não tenha consequência alguma extingue-se.

Resumindo: sempre que estivermos a dizer que um cão é mau, devemos olhar para nós próprios e perguntar "o que estou a fazer de errado?". E depois de o descobrirmos, por vezes bastam apenas algumas pequenas mudanças de hábitos para fazer toda a diferença!

terça-feira, 24 de Junho de 2014

Seminários de Treino Positivo!

A It's All About Dogs está a desenvolver uma nova iniciatiava solidária e educativa. Está a organizar seminários pelo país fora, sendo que o valor das inscrições reverte totalmente para a associação ANIMAL, uma associação que luta pela defesa dos direitos dos animais e que se tem deparado com muitas despesas médico-veterinárias, fruto dos vários animais que têm acolhido de situações precárias e com variadíssimos problemas de saúde. Para ajudar, a IAAD está então a organizar vários seminários sobre treino positivo e conta com a ajuda de todos para poder encontrar locais onde possa fazer o seminário de forma gratuita. Estão marcadas já as seguintes sessões:

- Dia 20 de Julho de 2014, no Porto.
- Dia 26 de Julho de 2014, em Faro.
- Dia 2 de Agosto de 2014, em Lisboa.
- Dia 5 de Outubro de 2014, em Castelo Branco.

O seminário que vai decorrer em Castelo Branco terá lugar na Escola Superior Agrária, o qual estou a ajudar a organizar.
Os seminários têm o valor de inscrição de cerca de 20€ e este valor vai reverter totalmente para a ANIMAL. Ambos iniciam às 10.00h e terminam às 18.00h, havendo um intervalo de 1 hora para almoçar.
Nestes seminários irá ser abordado o que é o treino positivo, o que é e como usar o clicker, ensino de obediência básica e dicas para melhorar o treino dos nossos companheiros de 4 patas. 

Quem quiser inscrever-se apenas tem de enviar um e-mail para itsallaboutdogs@hotmail.com e receberá a ficha de inscrição. 
Aproveitem para aprender e ajudem a ajudar, não faltem! 

segunda-feira, 23 de Junho de 2014

Como Treinar um Cachorro?

sábado, 31 de Maio de 2014

Irresponsabilidade

Vai decorrer, ao pé da minha casa, um evento de treino canino em grupo. Um evento de "treino positivo". Fiquei curiosa e fui espreitar, não só a página do treinador em questão mas também a do evento. Qual não é o meu espanto quando me deparo com o seguinte:
- O treinador teve a sua formação numa escola reconhecidamente aversiva;
- O treinador usa expressões do género "o cão estava a substituir a posição do dono e foi preciso mostrar-lhe quem manda em casa" e "o cão só faz o que quer e depois fica pronto a trabalhar a troco de comida";
- Quando questionado acerca da possibilidade de alguém levar um cão que demonstra comportamentos agressivos, por medo, com outros cães para o tal evento de treino em grupo, a reposta foi "será muito bem-vindo";
- Aparecem fotografias dos seus cães a usar estranguladoras.

Infelizmente, isto é o pão nosso de cada dia em Portugal. Reina a incompetência, a moda do "positivo" que só serve para disfarçar o aversivo, a irresponsabilidade, a falta de ética profissional. Isto não é nada. Isto não é treino positivo. Encher o cão de salsichas não se traduz nem é a definição de treino positivo! Um treinador minimamente responsável não organiza um evento de treino em grupo, com cães que não conhece de lado nenhum, sem saber o seu historial comportamental, sem saber se são reactivos ou agressivos com outros cães e, quando sabe que o são, em vez de referir educadamente à pessoa que aquele evento não é, de todo, adequado a um cão com essas características (não só porque pode provocar danos a outros animais, mas também porque é uma fonte de stress para o animal agressivo e porque vai logo contra umas 3 ou 4 regras básicas do treino de modificação comportamental de cães com este tipo de problemas) como ainda incentiva a sua vinda! Não vi qualquer referência ao número limite de cães que se podem inscrever (e, de acordo com a informação disponível, se todas as pessoas que dizem comparecer ao evento levarem um cão, estarão lá muitíssimos cães, o que, espero sinceramente, não ser verdade). Como aviso, tem apenas a referência que os donos devem acautelar qualquer situação que possa ameaçar a integridade física dos outros animais e pessoas. Isto é o papel do treinador, não do comum cidadão tutor de um cão, que muitas vezes não consegue interpretar os sinais comunicativos do mesmo. Não é realista esperar que o tutor do cão seja capaz de avaliar esse tipo de situações. Isto é função do treinador e que começa logo por não cumprir, ao permitir que as pessoas levem animais agressivos para o evento. É uma falta de responsabilidade incrível. A última vez que vi pessoas a levarem cães para um evento público onde iriam estar presentes outros cães, vi passar uma cadela que estava a bombardear toda a gente com sinais de stress e apaziguamento. Vim mais tarde a saber que essa cadela tinha atacado um outro cão. 

Infelizmente e, tendo em conta que não há legislação, nem fiscalização, nem regulamentação, nem sequer o reconhecimento oficial da existência da profissão "treinador de cães", estas situações continuarão a acontecer, as pessoas continuarão a ser enganadas e os treinadores que se dizem positivos porque realmente o são e sabem o que estão a fazer, acabam no mesmo saco de todos os outros. 

domingo, 25 de Maio de 2014

Próxima Leitura


Acabadinho de chegar! 

sexta-feira, 16 de Maio de 2014

Muito Cuidado!